The Anniversary Party



Tem gente que acha que atores devem atuar, diretores devem dirigir, roteiristas devem escrever roteiros e produtores devem produzir filmes. Tem gente que acha que atores não devem dirigir, roteiristas não devem atuar e diretores não devem escrever roteiros. Depois de ver The Anniversary Party, eu tenho que concordar com essa opinião.

O filme é o debut dos atores Alan Cumming e Jennifer Jason Leigh na direção, produção e roteiro. E eles também atuam nos papéis principais. Não sei se é só a minha natural antipatia por essa atriz, mas eu achei The Anniversary Party um tanto irritante e previsível.

A trama é boba: uma atriz trintona (Jason Leigh) e seu marido escritor (Alan Cumming) comemoram o aniversário de seis anos de casamento, logo após a reconciliação de uma separação longa que os manteve em países diferentes - ela em Los Angeles e ele em Londres. Eles convidam a fauna de amigos e os vizinhos, com quem têm uma rixa por causa do latido do cachorro. Ele vai dirigir seu primeiro filme, baseado em um dos seus livros, cujos personagens são vagamente inspirados neles mesmos. Mas quem vai fazer o papel principal no filme não é a esposa e sim uma atriz mais nova (Gwyneth Paltrow) que está fazendo mais sucesso do que a esposa do escritor. O problema da atriz trintona é justamente o envelhecimento (que é devastador, na cruel Hollywood), a insegurança com relação ao marido e a rejeição à idéia dele de terem um filho.

A festa de aniversário de casamento começa à tarde de um dia e termina na manhã do outro. E durante as comemorações os pequenos e grandes dramas vão se desenrolando, até o clímax dramático e a volta à realidade.

Apesar do elenco interessante, com atrizes populares da década de 80, como Jennifer Beals e Phoebe Cates, além de Kevin Kline e John C. Reilly, o filme peca pela auto-indulgência. Como se a vida boçal e os probleminhas existenciais dessa gente do cinema interessassem a alguém. Nós queremos ver o glamour e nos sentimos desconfortáveis com a mesquinhez e pequenez das infelicidades diárias de cada um deles.

O roteiro do filme foi escrito em cinco dias e as filmagens, com tecnologia digital, foi feita em dezenove dias. O melhor do filme é a participação de Michael Panes, um ator talentoso e que ainda tem a charmosa vantagem de parecer com o Peter Selles. O resto do filme me fez sentir como se eu estivesse lendo a revista People ou a US.




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